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Famurs repudia retirada de 400 policias de cidades do interior

14/03/2017 | Fonte: Famurs | Acessos: 79

Prefeitos criticam decisão do Governo do Estado de deslocar efetivo para Porto Alegre

A Famurs manifestou, nesta terça-feira (13/3), posição de repúdio à decisão do Governo do Estado de retirar 400 policiais militares de municípios do interior. De acordo com o vice-presidente da Federação, Marcelo Schreinert, a medida agrava a situação de insegurança nas cidades gaúchas. "Estamos vivendo, nesses últimos tempos, um verdadeiro caos na segurança pública. A solução para o problema da criminalidade na Região Metropolitana não está na remoção de policiais do interior", defendeu. O presidente da Famurs, Luciano Pinto, está realizando uma missão internacional para a Arábia Saudita.

Do total de policiais que serão transferidos para Porto Alegre, 100 serão retirados de Passo Fundo. Conforme o presidente da Associação dos Municípios do Planalto (Ampla) e prefeito de Ciríaco, Arlindo Lopes, a transferência desagrada os prefeitos da região. "Nós precisávamos que viessem mais 100 policiais para a nossa região, ao invés de tirarem", reclamou. Segundo Lopes, a associação tem uma reunião agendada com o secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado no dia 23 de março para solicitar o aumento do efetivo da Brigada Militar na região. "Com essa decisão, o Estado não vai resolver o problema de Porto Alegre e vai criar um problema ainda maior no interior do Estado", resumiu o presidente da Ampla.

A região Centro do Estado também sofrerá perdas no efetivo. Ao todo, 75 policiais sairão do município de Santa Maria. O presidente da Associação dos Municípios da Região Centro do Estado (Amcentro) e prefeito de São Sepé, Leocarlos Girardello, classifica a medida como "um ato de desespero" do Piratini e alerta que a Patrulha Intermunicipal, que realiza ronda pelas cidades da região, já sofre com a redução do efetivo. "Isso é horrível. Não tenho dúvidas de que a segurança vai ficar ainda pior na nossa região". Girardello informa que o comandante da Brigada Militar foi convocado para a próxima reunião da Associação, no dia 28 de março, para conversar com os prefeitos. "Essa é uma preocupação dos gestores públicos com a sociedade, que está ficando desamparada", lamentou.

Registros de ataques a bancos no interior

De acordo com o vice-presidente da Famurs, Marcelo Schreinert, as cidades menos populosas estão sendo alvo de sucessivos ataques. Somente no mês de março, foram registrados assaltos a bancos em pelo menos duas cidades da Região Noroeste do Estado. No dia 2, o prefeito de Ibirapuitã, Rosemar Hentges, chegou a ser levado como refém pelos bandidos, após assalto a uma agência bancária do município. No dia 8, foi a vez de Fontoura Xavier. Criminosos assaltaram duas agências e utilizaram reféns como escudo humano para fugir da polícia.

Estudo da Famurs sobre redução do efetivo

A maioria dos municípios gaúchos está com déficit no efetivo da Policia Militar em função da diminuição do número de brigadianos no Estado. Esse é o resultado de uma pesquisa elaborada pela Famurs. De acordo com o estudo, 60% das cidades do Rio Grande do Sul dispõem de menos de dois PMs por turno. O levantamento contempla dados de 2015 e também mostra que um entre dez municípios possui até dois policiais no efetivo total.

Famurs criticou transferência de PMs durante a Copa

A Famurs já manifestou posição de repúdio à transferência de PMs para a Capital em outras ocasiões. Durante a Copa do Mundo, em junho de 2014, a Famurs foi contrária à retirada de policiais do interior para o reforço do efetivo na Capital. Na oportunidade, o então presidente Valdir Andres entendeu que a cedência de brigadianos no mês do evento fragilizaria a segurança nas cidades do interior.

Em agosto do mesmo ano, a Federação voltou a criticar o governo do Estado pela decisão de deslocar mais 150 policiais para a Capital. "Estamos correndo o risco de elevar ainda mais os índices de criminalidade nessas cidades que ficarão desguarnecidas da mesma forma que aconteceu durante a Copa do Mundo", alertou Seger Menegaz, presidente da Federação à época.

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